| DÍZIMO: ANTES, DURANTE E DEPOIS DA LEI |
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| Escrito por Pr. Eli Aguiar |
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Quando professamos nossa fé por ocasião do batismo, declaramos que reconhecemos a Bíblia Sagrada, tanto o velho como o novo testamento, como nossa única regra de fé e prática. No entanto, não devemos negar as verdades nela contida. O dízimo precisa ser entendido de três formas: 1) Antes da Lei 2) Durante a Lei 3) Depois da Lei Para cada época o dízimo tem um conceito distinto. O DÍZIMO ANTES DA LEI A primeira vez que se faz menção do dízimo na Bíblia é em Gênesis 14.18-20, quando Abraão (400 anos antes da Lei Mosaica) decidiu voluntariamente dar a décima parte dos despojos ao sacerdote do Deus Altíssimo, Melquisedeque. E em Gênesis 28.18-22, 300 anos antes da existência da Lei, Jacó também fez um voto ao Senhor, dizendo: “... Se Deus for comigo, e me guardar nesta jornada que empreendo, e me der pão para comer e roupa que me vista, de maneira que eu volte em paz para a casa de meu pai, então, o Senhor será o meu Deus; e a pedra que erigi por coluna, será Casa de Deus; e, de tudo quanto me concederes, certamente eu te darei o dízimo”. O dízimo nasceu em um período de Graça. Foi o favor de Deus que levou Abraão e Jacó a entregarem os dízimos, muito antes do surgimento da Lei Mosaica. O DÍZIMO DURANTE A LEI A Lei veio depois de Abraão e de Jacó, quando estes voluntariamente entregavam os dízimos. A Lei, considerada como “Lei Santa”, adotou a prática de dizimar, determinando que 10% de todos os bens, fossem dedicados e entregues na casa de Deus, conforme vemos em Lv 27.30-34. Inclusive punia os que utilizassem o dízimo do Senhor, tendo de restituí-lo, acrescentando-lhe a 5a parte, ou seja, 20% a mais (Lv 27.31). É bom lembrar que se o dízimo não fosse uma prática saudável, Deus não havia incluído na Lei dada ao povo de Israel. O DÍZIMO DEPOIS DA LEI Temos notado que muitas pessoas, até mesmo alguns cristãos, buscando defesa para justificar sua omissão na contribuição para a Igreja do Senhor Jesus, tentando argumentar que o dízimo não deve fazer parte das práticas cristãs no tempo da Graça. Entendo claramente que se trata de mais uma estratégia das trevas, para impedir que o povo de Deus, no tempo da Graça entre pelo caminho do suprimento e da prosperidade. O dízimo nasceu num período de Graça. Foi o favor de Deus que levou Abraão e Jacó entregar seus dízimos muito antes da Lei. O apóstolo Paulo em Gl 3.9 diz: “De sorte que os que são da fé são benditos com o crente Abraão”. Se hoje, no tempo da Graça, invocamos o Deus de Abraão, Isaque e Jacó, porque não entregar também os nossos dízimos como eles fizeram? Devemos proceder por fé conforme o escritor aos Hebreus faz menção de Melquisedeque como uma figura de Cristo em Hb 7.1-10, destacando o verso 3: “Sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece para sempre”. Nesse texto de Hebreus, o sacerdócio de Melquisedeque “Rei de Justiça”, ainda continua, porque é tipológico à Cristo. E como a Igreja é corpo de Cristo, a Igreja está claramente credenciada para receber os dízimos e aplica-los. QUAL O DESTINO DOS DÍZIMOS NO TEMPO DA LEI? Os dízimos e as ofertas alçadas eram destinados ao sustento daqueles que trabalhavam no ministério com tempo integral, como os sacerdotes (Nm 18.24 e Lv 27.31). Também eram utilizados para suprir as despesas de manutenção do templo e daqueles que ali viviam (Ml 3.10). QUAL O DESTINO DOS DÍZIMOS NO TEMPO DA GRAÇA? No tempo da Graça, os dízimos e ofertas são destinados especialmente no sustento dos obreiros que se dedicam com tempo integral para propagar o Evangelho do Senhor Jesus Cristo. Em ICo 9.14, o apóstolo Paulo diz: “Assim ordenou também o Senhor aos que pregam o evangelho que vivam do evangelho”. Dizimar é uma maneira indireta de pregar o evangelho, porque aqueles que não podem ir, podem contribuir para sustentar alguém que esteja indo pregar. JESUS FALOU SOBRE DÍZIMO? Sim. Em Mt 23.23 Jesus disse aos escribas e fariseus que deveriam entregar o dízimo sem esquecer-se de praticar a justiça, a misericórdia e a fé. Em outras palavras Ele estava alertando que o dízimo não seria uma prática isolada, e sim uma das práticas de seus verdadeiros seguidores. Muitos, tentando defender uma ideologia sem fundamento bíblico, alegando que Jesus condenou o dízimo, usam apenas a primeira parte do verso 23 “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque dizimais...” esquecendo-se do restante do verso: “... e tendes desprezado os preceitos mais importantes da Lei: A justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas”! SE NÃO ESTAMOS SOB O JUGO DA LEI, O QUE NOS IMPULSIONA A ENTREGAR O DÍZIMO? O que nos impulsiona a entregar os dízimos e ofertas alçadas não é uma lei imposta, como uma força que vem de fora; mas uma nova Lei que nos transforma de dentro para fora; é algo que verte em nosso interior. O apóstolo Paulo em Rm 8.2, disse: “porque a lei do Espírito em Cristo Jesus livrou-me da lei do pecado e da morte”. Ainda em 2 Co. 3:3 diz: “... vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus Vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração”. Hoje não entregamos os dízimos por sermos cobrados ou pressionados; entregamos por amor. No tempo da Graça, o dízimo é apenas um referencial mínimo do que podemos fazer na obra de Deus. Trata-se do sustento básico dos serviços sagrados. Como cristãos sinceros, estamos sujeitos às orientações do Espírito Santo, específicas para cada ocasião, fora dos códigos de normas estabelecidos por organizações. O Espírito Santo pode nos dar uma orientação para o dia de hoje, totalmente diferente de ontem; amanhã, poderá nos direcionar de maneira diferente de hoje; e assim por diante. O importante é conhecer e obedecer à voz do Espírito Santo. Lembramos que os cristãos primitivos foram orientados pelo Espírito Santo, que vendessem suas propriedades e entregassem tudo aos apóstolos. Não houve nenhuma lei humana para impor tal prática; mas a Lei do Espírito era muito forte. Não que todos fossem obrigados a procederem assim. A maioria obedeceu à voz do Espírito, até mesmo sem entender o porque. Mais tarde, quem não vendeu ou não entregou para os apóstolos, perderam todos os seus bens por ocasião da perseguição dos anos 70. Percebemos hoje que aquela orientação do Espírito Santo foi ocasional e local, não servindo como regra geral. QUAIS OS CRITÉRIOS PARA OS DÍZIMOS E OFERTAS? Compreendemos claramente que o dízimo é o mínimo que devemos oferecer ao Senhor. Os dízimos sempre se referem aos 10% dos salários, pro labore, aluguéis, comissões, gratificações, heranças, acertos trabalhistas, lucros imobiliários, presentes recebidos, lucros da produção industrial ou agropecuária, lucros imobiliários e etc. Algumas pessoas nos têm perguntado se devem entregar o dízimo do valor da venda de um imóvel ou de um veículo. Precisamos analisar o seguinte: Primeiro: Se o bem ora vendido tenha sido adquirido com recursos já dizimados, dizimaria apenas o valor sobre o ganho de capital, e poderia ser oferecida uma oferta de gratidão à obra do Senhor, uma vez que o capital investido refere-se aos 90% remanescentes de valores dizimados. Segundo: Se o bem ora vendido tenha sido adquirido com recursos não dizimados, ou tratando-se de herança recebida ou doações, o valor deverá ser dizimado, uma vez que o capital investido, herdado ou doado ainda não fora dizimado. Outros têm nos perguntado se devem descontar despesas antes de tirar os dízimos. Depende das atividades de cada um: Primeiro: Sobre salários o dízimo deve ser do bruto, porque os descontos na folha de pagamento são feitos para investir em assuntos de interesse do assalariado. Segundo: Sobre os lucros de uma empresa, deve dizimar sobre o lucro líquido, isto é, depois de descontados os investimentos, impostos, folha de pagamento e outros descontos legais ou esporádicos destinados à manutenção da empresa. Quando se trata de sociedade com pessoas não convertidas, os dízimos serão calculados sobre as retiradas (prolabore) e nos acertos finais. Terceiro: Sobre a produção agropecuária, deve dizimar sobre a renda líquida, isto é depois de descontados os gastos com: fertilizantes, defensivos, sementes, funcionários, impostos e outros gastos investidos na produção. CONCLUSÃO A matemática divina é diferente da humana. A humana, quanto mais adiciona mais aumenta. A divina, quanto mais subtrai (contribui para a obra de Deus), mais aumenta. Em Lc 6:38 Jesus disse: “daí, dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão...”. Podemos nos comparar como uma “caixa d’água”; uma caixa d’água para receber mais água, precisa liberar água; se não liberar, não receberá mais água. Muitos procuram resolver seus problemas financeiros retendo os dízimos. Mas logo descobrem que os problemas se tornaram maiores, porque lançar mão dos dízimos do Senhor seria fechar a porta do suprimento. Em Ml. 3:10 temos a informação que a entrega dos dízimos abre as janelas do céu para o derramamento da abundância. Obviamente a não entrega, fecha as janelas do céu, provocando a escassez. A chave do suprimento está em nossas mãos. Pr. Eli Aguiar |
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